Pensamentos que envolvem intimamente as minhas inquietações pessoais e subjetivas...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Pés no Chão
Percebo que muito do que faço ou
penso tem mais a ver com a projeção do que eu quero do que com a realidade e o
contexto em que vivo. Neste sentido, estou muitas vezes vivendo muito mais um “futuro” do
que o presente. E viver um “futuro” é não viver, é não-ser, porque o futuro não
existe, ele é apenas possibilidade. E se é “não-ser”, tenho então um problema
ontológico (estudo do ser). O futuro é fé, é mito, é imaginação, é ilusão.
Penso que devo tentar caminhar um
pouco mais dentro do meu presente. Acho que isso é ser mais “pé no chão”. É
como numa viagem. Ao invés de ficar de mau humor porque demora a chegar no
destino, tentar aproveitar a paisagem, a viagem em si. A chegada ao destino é "lucro", e quando chegar, aí sim será um presente. Um futuro, que se torna
presente.
Por outro lado, é o futuro que
nos move em direção a, que nos motiva a fazer a caminhada. Mas é bom prestar
mais atenção no que está nesse caminho, porque talvez podemos parar um pouco
mais para contemplar a beleza do chão que estou pisando, a melhoria que posso
fazer se ele não for tão belo. Mas melhorar já é uma expectativa de depois:
agora está assim, mas pode ficar melhor depois que eu fizer... E se é depois,
já futuro.
Então temos aqui a ambiguidade do
tempo. Aliás, o tempo. Será que ele existe? O tempo não é só o presente? Porque
o tempo que já foi é não-ser, e o tempo que virá é ainda não-ser. Ou seja não
existem, porque ou já existiu ou ainda vai existir. Mas os povos da antiguidade
lidavam bem com a ambiguidade, para eles não existia essa ideia de progressão
do tempo. Essa ideia teleológica (um grande final no futuro). Era cíclico, tudo
retorna, tudo acontece de novo. Para eles o passado era sempre presente e no
futuro retornariam ao passado. Ou seja, o tempo é uma belíssima ilusão. Talvez
esse seja o sentido de eternidade, de vida eterna: o tempo não com três
estágios, mas apenas um: o presente, o estar vivendo e estar-sendo.
Concluo que se por um lado sou
movido a seguir adiante por causa de esperanças e projeções futuras, não posso
deixar de sentir e viver o momento presente na realidade e contexto que estou.
É bom manter os pés no chão, às vezes parados, as vezes caminhando...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Medo de ser livre
Me dá medo de sair pela rua e decidir onde eu quero ir, sem ter alguém que me dê o mapa ou coloque em mim um localizador com conexão ao GPS.
Me dá medo de andar a noite e escolher a diversão que terei sem ter alguém que me diga qual é a certa, qual é a errada.
Me dá medo de escolher a profissão que farei, sem ter alguém que me diga o que é mais nobre ou o que vale mais a pena.
Me dá medo de estabelecer meu modelo de família, sem ter um livro sagrado ou de psicologia que determine quais são os modelos corretos.
Me dá medo de não existirem mais leis que me digam o que é permitido e o que é proibido.
Me dá medo de ter prazer e não sentir nenhuma culpa.
Me dá medo de saber que Deus talvez não intervenha...
Me dá medo de fazer diferente, de não fazer como sempre fiz antes.
Me dá medo de ser reprovado, de não estar agradando...
Me dá medo de decidir, me dá medo de escolher. Me dá medo de ser livre. Como tenho medo!
Céus, por que tenho tanto medo? Será que não desejo a liberdade?
terça-feira, 12 de junho de 2012
Rindo à toa
Quem ri o tempo todo, desconhece a realidade. Quem não ri nunca, acha que já conhece. Tem uma música do Frejat que diz que "rir é bom, mas rir de tudo é desespero."
Eu tento encontrar uma forma equilibrada de se viver sem sucumbir ao pessimismo ou ao otimismo. Estou falando de algo impossível, eu sei. O filósofo Luc Ferry escreveu que tão ruim quanto um otimista bobo e feliz é o pessimista infeliz.
O caminho que estou trilhando para isso é encontrar um objeto de amor. E esta é uma das formas que Freud diz que o ser humano procura lidar com as adversidades da vida. Ele fala de outras como religião, narcóticos e a educação para a realidade. Gosto também desta última. Mas o amor me fascina mais. E não estou falando necessariamente de amor romântico ou fraterno, apesar de não excluí-los. Estou falando de um "objeto" de amor. Algo a que a gente se dedique, se empenhe, goste de fazer, etc.
Alguns vão escolher um filho, uma mulher ou um homem. Outros um trabalho, um hobbie, uma idéia. Não importa. O importante é se dedicar a esse objeto de amor. E amá-lo. Amá-lo desesperadamente.
Se eu encontrar, farei ser significativo e valer a pena. E se o objeto morrer, partirei para outro. Tento não sonhar demais, não idealizar demais. Procuro não ser realista de menos, nem sonhador demais. Busco ter pés no chão e não rir à toa.
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